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  Responsabilidade Social
Museu do Morro

PREFEITURA MUNICIPAL DE CUIABÁ

INSTITUTO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO URBANO

COMPANHIA DE SANEAMENTO DA CAPITAL – SANECAP

MUSEU DO MORRO DA CAIXA D´ÁGUA VELHA

PRIMEIRO SISTEMA DE ABASTECIMENTO PÚBLICO DE ÁGUA DE CUIABÁ

PROPOSTA DO PROJETO

SANECAP/IPDU


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MUSEU DO MORRO DA CAIXA D´ÁGUA VELHA

 

“Os Museus não valem como depósitos de cultura ou experiências acumuladas, mas como instrumentos geradores de novas experiências e renovação de cultura”.



    Carlos Drummond de Andrade.

 

 

ÍNDICE


Aprovação da Proposta do Projeto............................................5

Informações da Responsável do Projeto...................................5

Equipe Elaboradora................................................................... 6

Comentários do Responsável pela Proposta............................ 6

Justificativa ...............................................................................9

Considerações Gerais..............................................................11

Objetivos do Projeto Museu do Morro da Caixa d`Água..........11

Objetivos Específicos...............................................................14

Histórico – Origem do Lugar.....................................................15

Satisfação dos Moradores em seu Entorno.. ............................25

Metodologia ou Desenvolvimento.............................................26

Área..........................................................................................28

Caracterização da Área – Aspectos Físicos e Biológicos.........28

Considerações Finais................................................................29

Anexos – Contrato Histórico Frick e Zanota..............................38

Tarefa........................................................................................39

Biografia................................................................................40

Cronograma de Custo (Anexo à parte do Projeto)...................




APROVAÇÃO DA PROPOSTA DO PROJETO

Identificação do Projeto

Nome do Programa:

Museu do Morro da Caixa d`Água Velha

Nome do Projeto:

Museu do Morro da Caixa d`Água Velha – Preservação e Memória.

Órgãos Líderes:

Prefeitura Municipal de Cuiabá – Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento Urbano e Companhia de Saneamento da Capital – SANECAP.

Objetivos Estratégicos:

Preservação – Memória -Compromisso Ambiental – Espaço alternativo para a cultura – ciência e tecnologia - Responsabilidade Social

Objetivo Geral:

Implantação do Museu do Morro da Caixa d`Água Velha, no Morro da Caixa d`Água Velha, em Cuiabá-MT.

Objetivos Específicos:

Adequar o espaço físico da antiga caixa d`água velha, transformando-o em Museu, proporcionando à comunidade o conhecimento da história do saneamento em Cuiabá; Oportunizar a abertura para o entrosamento entre o Museu do Morro da Caixa d`Água Velha e a população, eliminando o distanciamento e abrindo espaço para alunos das escolas públicas municipais, estaduais, universidades, pesquisadores para visitas,estudos e pesquisas, incentivando o conhecimento do saneamento e de sua influência no desenvolvimento da cidade de Cuiabá.



Informações dos Responsáveis pela Proposta

Nome:

Neila Maria Souza Barreto – Avenida Mário Palma, 501 – Jardim Mariana – Cuiabá – Mato Grosso

Nome:

ELIANA RONDON LIMA – Presidente da Sanecap



Equipe Elaboradora: 

Nome

Órgãos

 

Neila Maria Souza Barreto

Pesquisa Histórica e Projeto Histórico - Jornalista e Historiadora – SANECAP – neila.barreto@terra.com.br

Adriana Bussiki dos Santos

Presidente – IPDU

Jaime Lerner

Arquiteto

Márcio Puga

Arquiteto – IPDU

Débora Zanine

Desenho - IPDU

 

 

 

 

 

 

Palavras Chave

 

Museu – Morro da Caixa d`Água - Preservação



Comentários dos Responsáveis pela Proposta

            O Projeto de adequação do Museu do Morro da Caixa d Água Velha é resultado de um trabalho de equipe multidisciplinar envolvendo, a Prefeitura Municipal de Cuiabá-Instituto de Pesquisa de Desenvolvimento Urbano – IPDU, a Companhia de Saneamento da Capital – SANECAP e Instituições Públicas Municipal, Estadual e Federal, cujo embasamento histórico advém da dissertação de mestrado: Água: Gota da Vida – Uso e Abastecimento no espaço urbano de Cuiabá[1]. É um espaço físico importante, cuja área propiciará a redescoberta de importantes equipamentos urbanos; Vida cotidiana constante, valorização da topografia, preservação do meio ambiente, ouvido e voz a cultura e a história; Desenvolvimento de estudos e pesquisas; Preservação da flora silvestre e consequentemente implantação do Museu.



Mato Grosso e Cuiabá

A capitania, depois a província, mais tarde o antigo Estado de Mato Grosso único e hoje o que remanesce dele integraram e integram as regiões Centro-Oeste e Amazônia. Seu território possui grande reserva de águas, inclusive doces potáveis.

                O ar
raial inicial e depois a vila do Cuiabá tiveram sua localização mais ampla, continental, definida nos anos 1770 pelo advogado José Barbosa de Sá, morador na vila:

                Acha-se esta vila assentada na parte mais interior da América austral (...), quase em igual paralelo com a Bahia de Todos os Santos pela parte oriental e pelo ocidente com a cidade de Lima, capital da Província do Peru, distante de uma e outra costa setecentas e cinqüenta léguas
(SÁ, 1975, p.).



O Rio Cuiabá

O rio Cuiabá está ligado à história da vila e da cidade às quais deu nome. Da Serra Azul, onde é débil veio cristalino, vem lambendo o sopé da cordilheira grandiosa, borbulhante, seguindo o caminho do seu destino, semeando vida (ROMIO, 1995, p. 38).

As cabeceiras de drenagem, ou “veredas”, ocorrem nas serras Arara e Azul, e no planalto da Chapada dos Guimarães.  A principal nascente está em Rosário Oeste , a 120 km da capital. A porção Sul é ocupada por extensa planície (terras baixas e planas), constituindo o Pantanal mato-grossense (FERREIRA, 1999).

O rio Cuiabá e seus tributários são responsáveis por 69,3% do abastecimento público de água potável na área de sua bacia (LIMA, 2001). Nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande[2], o rio Cuiabá atende respectivamente 95% e 82% da demanda de água potável. Toda água potável consumida pela população da micro-bacia retorna ao rio Cuiabá por esgotos, fator potencial de contaminação da qualidade da água. Além disso, serve de abastecimento da zona rural, à irrigação, à geração de energia elétrica, navegação, lazer, pesca e diluição de esgotos domésticos e industriais.

Nas várias versões da história da vila e da cidade de Cuiabá, o rio homônimo foi roteiro de aventuras esplendorosas, de epopéias trágicas e grandiosas, de práticas cotidianas quase invisíveis a viajantes e desbravadores. É um elemento principal de paisagem, representa vida para a cidade. Vivemos em contato com ele, vivemos dele, somos íntimos dele. A nossa culinária está ligada a ele. O nosso linguajar está ligado nele. O nosso peixe advém dele. As hortas estão em seu entorno, a cerâmica, as redes, a cana e a rapadura. Karl Von den Steinen assim descreveu o seu olhar sobre a cidade de Cuiabá:

(...) uma linda cidade balneária alemã, numa tarde de domingo, quando toca a banda militar. Imaginou encontrar-se num vilarejo da Turíngia ao constatar “a liberdade patriarcal do bom gado”, ao verificar a sem cerimônia com que porcos, cabritos e, outros animais andavam pelas ruas (STEINEN, 1953, p. 331).

No Cuiabá, a rede de rios e seus afluentes que cortam o Estado de Mato Grosso, em todas as direções, são grandes, oferecendo recursos hídricos dos mais altos. Dentre as bacias que cortam este território, as três principais são: Bacia Amazônica, ao norte, cujos rios vão desaguar no maior rio do mundo, em volume: o Amazonas; Bacia do Paraguai, a oeste, tendendo para o sul; Bacia do Paraná, a sudeste, também tendendo para o sul, encontrando-se fora do Estado com a do Paraguai.

Foi e é reservatório de inspiração para a construção cotidiana das culturas ribeirinha e urbana. Nele, as artes, a música, a literatura, a poesia, as festas, as danças têm perene fonte de inspiração.

Festas e danças como Siriri, Cururu, São Gonçalo, as lavações de São João, a festa de São Pedro, padroeiro dos pescadores, a honra a São Benedito e ao Senhor Divino para os cuiabanos não são tradições, são vivências. Comer peixe, principalmente os mais nobres como o pacu assado, a mojica feita do pintado com a mandioca, a pacupeva cozida acompanhada do arroz sem sal, o bagre ensopado e a piraputanga recheada com farofa de banana da terra, não são pratos típicos da culinária cuiabana, são pratos do dia-a-dia, oriundos das famílias ribeirinhas. São comidas que invadiram os lares cuiabanos e se tornaram costumes e culinárias tradicionais, regional e nacional. Cultuar os santos como Nossa Senhora, Santa Rita, São Benedito, Senhor Divino, São Pedro, São Gonçalo, São João, festejá-los, lavá-los hoje, nas águas do rio Cuiabá ou, como outrora, em suas fontes, poços, chafarizes e bicas não são folclores, mas costumes que marcam as relações profundas dos córregos, rios, das suas águas com os moradores, num encontro de vida com as suas águas doces potáveis sagradas e profanas.

E de práticas cotidianas quase invisíveis aos viajantes e desbravadores. Estas, principalmente às relacionadas à captação, tratamento, armazenamento, e distribuição de água potável urbana.



Período de Execução Estimado

Data de Início:

2007/1

Data de Fim:

2007/12



JUSTIFICATIVA

Para LIMA (2001) [3] a água, componente integrado ao sistema global, vem sendo fortemente alterada com as mudanças demográficas, a velocidade e a extensão da globalização e com o desenvolvimento sócio-econômico impulsionado pelo avanço tecnológico. Esses fatores têm sido observados pelos autores BISWAS (1999), YOFFE et al. (1999) e TAVARES et al. (1999) como preponderantes para o aumento da demanda sobre os recursos hídricos, refletindo na sua escassez e deterioração dos mananciais.

Dessa forma, para LIMA (2001) a água passou a ser uma preocupação crescente não apenas no que se refere à quantidade disponível, mas, principalmente, em relação à sua qualidade, acarretando prejuízos e restrições nos seus usos múltiplos.

Os problemas relativos à qualidade da água envolvem um aspecto bastante amplo dentro das áreas de estudo hidro-ambiental e na determinação das potenciais fontes de contaminação resultantes de: disposições inadequadas dos resíduos líquidos e sólidos, de natureza doméstica e industrial; alterações provocadas por empreendimentos para geração de energia (barragens), resfriamento de águas de termoelétricas, além das práticas agrícolas e de criação de animais em pequenas áreas nas bacias urbanas.

No Brasil a notícia que se tem é que em 1920 foi construída a primeira Estação de Tratamento de Água - ETA, com filtros rápidos na cidade de Porte Alegre-RS, pela ULEN CONTRACTING, de Chicago – USA e, em seguida em 1940 o Eng° W. A. REIN iniciou a aquisição de equipamentos de tratamento de água para Cuiabá – Mato Grosso[4], instalando estes equipamentos em 1941 na ETA – I, em Cuiabá, no governo Júlio Muller, por meio do engenheiro Cássio Veiga de Sá. A ETA iniciou a funcionar em 1942, com águas captadas do rio Cuiabá.

O rio Cuiabá tem um significado que transcende os seus usos mais nobres, como o abastecimento de água público, irrigação, pesca e balneabilidade e, está intrinsecamente ligado à cultura e à vida da população ribeirinha.[5]

Dessa maneira, a conscientização sobre o uso da água, bem como a sua preservação, por meio da educação ambiental para a Cuiabá do futuro tornou-se preocupação constante da Companhia de Saneamento da Capital – SANECAP, em relação à preservação do Morro da Caixa d`Água Velha e suas especificidades em relação ao cotidiano da água na vida da população cuiabana e mato-grossense, da fauna, da flora, dos rios, dos córregos, das fontes existentes, bem como do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano – IPDU – por meio da preservação da memória, da redescoberta de lugares importantes da cidade para a população, da valorização da aprendizagem e da educação, da preservação das paisagens urbanas,em Cuiabá.

Assim, a criação do Museu do Morro da Caixa d`Água Velha e a preservação da memória das suas águas tornam-se imprescindíveis, em função da decorrência gerada pelo crescimento populacional do centro urbano de Cuiabá, os quais tornaram invisíveis as paisagens urbanas de Cuiabá, agora as redescobrindo e tornando-as instrumentos geradores de novas experiências e renovação de culturas e saberes.

CONSIDERAÇÕES GERAIS
 

As questões ambientais são hoje preocupações dos governos federais, estaduais, municipais e outras entidades. Todos estão imbuídos no que se diz respeito a procedimentos e projetos que dêem resultados, no menor tempo possível, para a reversão de algumas situações de degradação ambiental, que, pela sua gravidade, colocam o ser humano, também, na relação das es pécies terrestres que, fatalmente, entrarão em extinção. [6]

O que nos proporcionará, verdadeiramente, a segurança de estarmos em um ambiente de condições mínimas de preservação e continuidade das espécies vegetais e animais, é o comprometimento de cada cidadão na busca de mudanças de competência de projetos que reorganizem as realidades das populações locais, transformando estas pessoas em agentes de capacitação para novos hábitos e mantenedores da preocupação constante de espaço ocupado por cada um.

Po
r isso é necessário investir no conhecimento da sociedade como um todo, contribuindo assim para a construção de um mundo mais justo e humanitário. A melhor forma de conscientizar a população é mostrar a ela o trabalho que seus antepassados enfrentaram para construir a estrutura onde hoje estão construídas as cidades, valorizando assim a evolução a qual não fizemos parte, mas que influenciou diretamente na visão da sociedade. É imperativo, portanto, não esquecermos que a evolução tecnológica não existiria se corajosos pioneiros não dessem o primeiro passo como, a criação do Museu do Morro da Caixa d Água Velha, em Cuiabá, em 1882.

Sabemos, porém, que não apenas a criação de regras nacionais e internacionais como a AGENDA DE KIOTO, ECO 92 ou o FÓRUM INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE na África do Sul são suficientemente eficazes para que os problemas ambientais que colocam a humanidade em risco sejam solucionados. [7]

A criação de espaços que valorizem esse tema é necessário ser criado. Daí o projeto de transformar esse “pequeno Aqueduto Romano localizado no interior da Caixa d Água Velha”, oriundo da primeira metade do século XIX em um belo salão restaurado convertido em Museu com objetos históricos, galeria de arte com telas, esculturas, salas multidisciplinares abertas à população voltadas não só para a preservação, mas, para a educação, a cultura, o turismo e o lazer. Construída em 1882 foi lugar de produção de vida para a população cuiabana. Continuará sendo após a sua restauração. É o desejo de todos que somam para a conclusão deste projeto.

Essa caixa de água, que por muitos anos foi conhecida simplesmente como “Morro da Caixa d Água”, a qual recebia água aduzida pela Hidráulica do Porto movida por máquina à Vapor. Essa caixa abastecia a população cuiabana de água potável por gravidade é, desde o ano de 2005, o local escolhido para abrigar o Museu da Caixa d Água Velha. Seu acervo será constituído por peças, equipamentos, fotografias, vestígios da história e outros pertences e procurará exibir uma abordagem da água não só como líquido essencial para a existência da vida, mas as suas diversas aplicações, como força motriz de uma cidade. O pequeno Aqueduto ali existente é feito por alvenaria, bem diferente das tubulações de hoje, construídas com ferros e outros materiais. No local outrora serviu de principal reservatório de água doce da capital mato-grossense. O Museu da Caixa d Água foi idealizado com a finalidade de ser um espaço de reflexão sobre o passado, oportunizando a identificação do processo histórico do abastecimento de água e saneamento no município de Cuiabá, relacionando as mudanças ocorridas desde a sua colonização até os tempos atuais, influenciando as futuras gerações no cuidado com o meio ambiente. O resgate e a preservação da memória do saneamento é uma atividade para ser utilizada como importante instrumento de educação ambiental.

 

OBJETIVOS DO PROJETO MUSEU DA CAIXA D ÁGUA VELHA

 

OBJETIVOS GERAIS

1. – Proporcionar à comunidade o conhecimento da história do saneamento em Cuiabá e Preservar a Memória da Água em Cuiabá.

2. - Criar a possibilidade de abertura para o entrosamento entre o MUSEU DO MORRO DA CAIXA D´ÁGUA VELHA em Cuiabá e a população cuiabana e mato-grossense, eliminando o distanciamento hoje existente.

3. - Abrir espaço para os alunos das escolas de l.ºe 2º graus, bem como de nível superior das instituições públicas e privadas do Estado de Mato Grosso, pesquisadores, para visitas, estudos e pesquisas, incentivando o conhecimento do saneamento e de sua influência no desenvolvimento da cidade de Cuiabá.

4. - Contribuir com o surgimento de propostas de projetos de pesquisas, estudos e novas tecnologias sobre a instituição, a partir do contato com o MUSEU DA ÁGUA NA CAIXA D´ÁGUA VELHA, principalmente práticas pedagógicas educacionais, culturais e artísticas.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

1. – Urbanizar a área pertencente ao Morro da Caixa d Água Velha com cerca de proteção e ajardinamento; Limpeza interna da Caixa d Água localizada na parte subterrânea do terreno; Colocação de Placa de Identificação da Área para Turistas e Visitantes; Levantamento de dados históricos para identificação cultural da área; Preservação como Patrimônio Público Cultural; Oportunidade de mais um espaço para a sociedade cuiabana; Abertura de um espaço para visitação pública.

2. – Redescobrir este importante equipamento urbano, valorizando a sua topografia e as árvores de grande porte ali existentes;

3. – Simbolizar o antigo abastecimento de água à população por gravidade por meio da construção de uma arcada no prolongamento do eixo da Travessa Alice Farias, sobre a qual correrá um filete de água finalizando em uma cascata junto à Rua Comandante Costa, projetada pelo Arquiteto Jaime Lerner;

4. – Facilitar o acesso ao Morro da Caixa d Água Velha pela sua lateral, com a abertura de um vão e colocação de portas de vidro temperado, conforme projeto, em anexo;

5. – Constituir-se em espaços temporários ou prolongados para abrigar diversos Museus Itinerantes, tais como Museu dos Imigrantes, Museu da Colônia Japonesa, Museu das Bonecas, Museu/Centro Cultural de Integração Sul-Americano da Cultura, etc., constituindo-se em espaços alternativos para exposições, onde o MUSEU DO MORRO DA CAIXA D´ÁGUA VELHA abrigaria os diversos museus existentes na capital mato-grossense.

6. – Servir de sala alternativa para exposições sobre as ciências e as novas tecnologias referentes à água e a preservação do meio ambiente, por meio de aulas de Educação Ambiental.

7. -
Organizar o MUSEU DO MORRO DA CAIXA d ÁGUA VELHA preservando os equipamentos ali existentes, localizado hoje na Rua Comandante Costa esquina com a Rua Nossa Senhora de Santana, no Centro, em Cuiabá-MT.

8. - Organizar o espaço físico para dispor os bens materiais e culturais coerentes com as suas trajetórias históricas.

9. – Preservar árvores centenárias existentes no local como a XIMBUVA.

10. – Execução do Projeto do Arquiteto Jaime Lerner, incluindo mirante, urbanização, pavimentação e outros.

11. – Implantar o Museu do Morro da Caixa d`Água Velha.

 

HISTÓRICO[8]

 

ORIGEM DO LUGAR[9]

HISTÓRICO

Em fins de 1880 o governo da Província de Mato Grosso publicou em jornal de circulação nacional nota de chamada a “concorrentes para o abastecimento d’ água à Capital da Província[10]

Em maio do ano seguinte o governo assinou contrato com os empresários João Frick e Carlos Zanotta. Era um contrato de 180 contos de réis, que o governo deveria pagar “em cinco prestações iguais”. [11]


Esses volumosos recursos visavam pagar “movimentos de terra, alvenarias, assentamentos da canalização das fontes públicas, das máquinas a vapor e das bombas”, “tubos de ferro de diferentes diâmetros, registros, peças acessórias dos encanamentos, reservatórios e torneiras”.

Seria construído um túnel ou canal derivando águas do rio Cuiabá para um poço de recepção de água, pouco acima do passo da barca pêndulo. Duas máquinas a vapor seriam assentadas junto ao poço de recepção, com dez cavalos/força cada uma, movendo bombas, estas também com dez cavalos/força cada, que elevariam as águas para uma torre a ser edificada na Praça do Arsenal de Guerra. A torre teria 23 metros de altura, contados da base ao fundo da cavidade ou receptáculo. A condução das águas à torre seria por encanamento de ferro fundido.

Da torre as águas iriam para um reservatório de distribuição com capacidade para 1000m³ de água, no alto da colina, atual Morro da Luz que demora a nordeste da Praça Aracaty, atual Praça Ipiranga [12].

D
o reservatório sairiam três linhas de encanamento com canos de oito a dez centímetros de diâmetro, comunicando o reservatório com a rede geral da distribuição d’água da cidade. A esses canos de maior diâmetro seriam conectados outros, de diâmetros menores, para alimentar as Fontes Públicas.

Oito dias após a conclusão das obras e funcionando o sistema, sua conservação, custeio e administração passariam à responsabilidade do governo provincial. Com uma ressalva:

Se o mesmo governo, recebendo as obras, conservar a máquina e o foguista dos empreiteiros ou admitir outros da confiança destes, garantem os mesmos a conservação das máquinas, edifícios, bombas, encanamentos, reservatório, chafariz e fontes durante o período de um ano, contando da época referida da Cláusula Quinta, deixando em caução, para essa garantia, a quantia de cinco contos de reis em apólices; se, porém o referido governo, enquanto durar o período da garantia, admitir maquinista e foguista que não forem de confiança dos empreiteiros, cessará, por este fato a responsabilidade destes quanto à conservação das máquinas e bombas, permanecendo, no entanto a que for relativas às demais obras. (...) As obras e os materiais nelas empregadas desde o pagamento da lª prestação ficarão pertencendo à Província. Da 5ª prestação ficarão em caução cinco contos de réis em apólices, para garantia da responsabilidade dos empreiteiros pela conservação dos maquinários, edifícios, bombas, encanamentos reservatórios, fontes e chafariz, durante o espaço de um ano, no caso de serem conservados nos respectivos serviços o maquinista e o foguista empregados pelos empreiteiros, ou de serem substituídos por outros de sua confiança. [13]

As obras teriam início a partir da assinatura do recebimento da primeira prestação, devendo ser concluídas em 18 meses. Mas:

Se, porém, ocorrer caso de força maior devidamente provado e que embarace o andamento dos trabalhos, ou o seu começo, o governo da Província prorrogará o prazo para o começo das obras por um ano, findo o qual nenhum outro prazo será concedido e ficará considerado rescindido o presente contrato. [14]

Excedido o prazo sem motivo justificado, os empreiteiros pagariam multa de dois contos de réis, em apólices depositadas na Tesouraria Provincial, no ato de receberem a segunda prestação de seu pagamento.

O governo provincial, por sua vez, deveria garantir a isenção de direitos de importação para todo o material destinado às obras contratadas, disponibilizar terrenos para as obras, fiscalizar (pelo engenheiro provincial) as obras e o material nelas utilizado e ter acesso a todas as informações técnicas.

A isenção de direitos de importação, por sua vez, teria contrapartida dos empreiteiros:

Fica estabelecido que, verificada a isenção de direitos de importação para os materiais das obras, serão os empreiteiros obrigados a colocar um Chafariz na Praça do Ipiranga e mais duas Fontes, uma no cruzamento da Rua Bela Vista com a Travessa da Justiça e a outra no cruzamento na mesma Rua da Bela Vista com a Travessa da Constituição. [15]

No contrato havia também um artigo permitindo aos empresários comercializarem até oito terminais penas d’água, domiciliares ou empresariais, repassando um terço dessa receita para a administração pública provincial.

Em setembro de 1881, João Frick enviava carta a jornal de Cuiabá, informando que em janeiro do ano seguinte:

(...) por carta de Pelotas de 5 próximo findo, comunica-nos o ilustrado engenheiro o Sr. Dr. João Frick, que deveria achar-se em Montevidéu a partir do dia 10 de fevereiro do ano próximo futuro para esta cidade, com todo o pessoal construidor, visto como ali chegar por todo o mês de janeiro, as máquinas, encanamentos e chafarizes, que mandou vir da Europa para a empresa de abastecimento d’água potável a esta capital. [16]

E o jornal já divulgava publicamente que em janeiro do ano seguinte:

(...) deverão chegar a Montevidéu as máquinas, encanamentos e chafarizes que mandou vir da Europa para a empresa do abastecimento d’água potável a esta capital. [17]

Em abril de 1882 começaram as obras, “principiando os trabalhos com a escavação para o reservatório ao noroeste da praça do Aracaty”.[18]

Logo depois um jornal local historiava, politicamente, algumas etapas da contratação dos serviços dos senhores Frick e Zanotta:

Bem poucos talvez não adotassem a idéia da indeclinável necessidade do abastecimento d’água a esta capital. Desejavam todos, muitos, porém duvidavam da realização desta empresa. O povo pedia com instância esse elemento salutar e preciso a vida humana. Quando se aproximava a estação calmosa, o povo começava logo a sentir a falta d’água, falta que pouco a pouco ia tornando-se mais intensa, a proporção de a estação mais se adiantava. Todos desejavam ardentemente uma solução breve e pronta à tão clamorosa necessidade. Os espíritos mais tímidos vacilavam na decretação de uma lei reclamada pela população inteira. Mas como decretar-se a lei, se as fendas da Província eram insuficientes para fazer em face de uma despesa tão avultada? (...) Em 1879, na Assembléia Provincial um distinto Cuiabano, o Senhor Capitão Luiz da Silva Prado, iniciou a idéia em um projeto que ficou adiado. Em 1879 ...) Dr. João José Pedrosa propôs a decretação da lei. O Senhor Capitão Silva Prado pugnou no mesmo ano com todas as suas forças pela mesma lei, infelizmente nesse ano “cahio” o projeto. Nesse periódico, no mesmo ano de 1879, em n° s 13 e 17, de 30 de março e 27 de abril. Insistimos quanto nos foi possível na decretação da dita Lei. (...) Em 1880, o Partido Liberal estava no poder, à assembléia provincial discutiu e decretou a lei tão almejada. Era presidente o Barão de Maracaju. Sancionada e promulgada a lei foram publicados também por este presidente, edital chamando concorrentes para contratar o abastecimento. Os senhores Frick e Zanotta se apresentaram ao contrato, representando a empresa o último destes distintos cavalheiros em 23 de maio de 1881, estando então na Vice-presidência o Exmo°. Senhor Tem. Cel. José Leite Galvão, lavrou-se e assinou-se o mencionado contrato. No paquete chegado ultimamente a este porto, vieram de Pelotas os Srs. Carlos Zanotta e João Frick e 17 pessoas[19], todos oficiais peritos para a obra, como anunciamos na Gazetilha de n. º 17. Cremos que hoje os espíritos vacilantes e dúbios não poderão deixar de conhecer que prestes teremos na cidade o abastecimento de água. Cremos igualmente que os que receavam a decretação da Lei erraram em sua impossibilidade. (...) A glória da iniciativa do projeto coube por sem dúvida ao senhor Silva Prado, mas ao Partido Liberal a decretação da Lei, é um grande benefício que atestará com toda província.

O cano mestre passaria a ir das máquinas ou do poço de recepção diretamente ao reservatório, no rumo aproximado de 20º noroeste.  Isso eliminava a torre no largo do Arsenal de Guerra e deslocava o reservatório para a atual Rua Comandante Costa. [20]

Em novembro desse ano as obras do novo projeto foram concluídas.  Para recebê-las oficialmente, o presidente da Província exigiu parecer técnico do engenheiro provincial, que foi assim redigido:

(...) executada de conformidade com o respectivo contrato de 28 de maio do ano passado, e achar-se, por conseguinte nas condições de ser recebida pela Província, menos na parte relativa às fontes públicas, por não estarem ainda assentes definitivamente, faltando completar-se o ramo de encanamento que passa pela frente do Arsenal de Guerra (MENDONÇA, 1973, p. 285).

O presidente da Província dirigiu então aos empreiteiros Frick e Zanotta o seguinte ofício:

Comunicando-me o Tenente Coronel Engenheiro da Província, em ofício de ontem, que do exame a que de ordem minha procedeu na obra da canalização d‘água para o abastecimento a esta capital, verificou ter ela sido executada de conformidade com o respectivo contrato de 28 de maio do ano passado. E achar-se, por conseguinte nas condições de ser recebida pela Província, menos na parte relativa às fontes públicas, por não estarem assim assentes definitivamente, faltando completar-se o ramo de encanamento que passa pela frente do Arsenal de Guerra. (...) A obra fica recebida com a restrição indicada. [21]

O sistema público de abastecimento de água potável foi inaugurado em 30 de novembro de 1882. Só uma terça parte da população da cidade ficou beneficiada, com dois horários de distribuição: das 06h00min às 08h00min horas e das 17 às 20 horas, diariamente (MENDES, 1977, p. 49).

Foto: Ratts. Detalhe da área interna do Reservatório (enterrado) construído em 1882, no governo do presidente José Maria de Alencastro localizado hoje na Rua Comandante Costa esquina com a Rua Nossa Senhora de Santana, Centro, Cuiabá, 2005. Acervo da autora.

Nesse mesmo mês o chefe do partido liberal em Cuiabá elogiou abertamente o novo sistema de abastecimento de água:

A água jorra em quase todas as ruas; (...) obra gigantesca que fizeram os empresários. O largo do palácio foi transformado num belo jardim, com um majestoso chafariz que lhe serve de utilidade e adorno. (...) uma felicidade para nós, que lutávamos todos os anos com dificuldades imensas para obter uma das principais necessidades da vida: a água. [22]

Portanto, em fins de 1882 teve início a implantação de um novo sistema de abastecimento de água potável, para pelo menos uma parte da cidade de Cuiabá, com canos de ferro introduzidos por baixo da terra, marcando o nascimento, na cidade, das águas ocultas, invisíveis.

A partir de então, a concepção do ambiente urbano da cidade de Cuiabá, principalmente em sua área central, começava a ser marcada pelo abastecimento de água potável não mais brotando em fontes naturais, explícitas, mas serpenteando por canos de ferro ocultos, correndo caminhos produzidos industrialmente, por longos cilindros de metal escondidos sob a terra, parte invisível, para a maioria dos moradores da cidade, hoje transformados em equipamentos urbanos ocultos.

Certamente o governo provincial acatava a idéia, comum à época, de que um sistema público de abastecimento de água doce potável como esse podia gerar receita adicional, aplicável ao financiamento de outros serviços públicos.

Em agosto de 1883 o governo provincial autorizou os empresários a ampliar o sistema de abastecimento de água potável e estendeu para 25 anos seu direito a explorar o fornecimento de água doce a domicílios cujo número aumentou, sem que a Província entrasse com capital algum.

Em fevereiro de 1884 foram concluídas as obras da ampliação do sistema de abastecimento de água e o engenheiro das obras públicas constatou a quadruplicação da capacidade de distribuição de água na cidade de Cuiabá.

Mas, cerca de setenta anos depois, a desapropriação do sistema de abastecimento de água potável de Cuiabá foi elogiada:

O Floriano Peixoto se deve (...) ter incorporado à                                Província a exploração do abastecimento de água da capital, que embora executada as expensas do Tesouro, era explorada pelos construtores da obra (PONCE FILHO, 1952).

O sistema público de abastecimento de água potável foi inaugurado em 30 de novembro de 1882 pelo Presidente da Província José Maria de Alencastro. Só uma terça parte da população da cidade ficou beneficiada, com dois horários de distribuição: das 6:00 às 8:00 horas e das 17 às 20 horas, diariamente[23], constando de serviço hidráulico, reservatório de água, local hoje denominado MORRO DA CAIXA D´água VELHA, tombado como patrimônio público municipal.

Foto: RAtts. Atual morro da Caixa d Água Velha, Cuiabá, 2005.

Na Praça Alencastro, centro da cidade, o chafariz de repuxo foi inaugurado no mesmo dia. [24] Assim, “o mesmo presidente que construiu a Praça Alencastro fartamente arborizada, construiu uma fonte de água dotada com repuxo, canteiros de flores, cercado por muretas e gradil confeccionado com os canos de 2000 espingardas velhas do Arsenal de Guerra, do bairro do “Porto”.

Nesse aspecto, a preservação dos bens relacionados à água e no caso específico da SANECAP/PREFEITURA MUNICIPAL DE CUIABÁ/IPDU em Cuiabá, se uniu para tornar possível à valorização das identidades cultural, ambiental e turística cuiabana e mato-grossense em benefício da sociedade e, buscam junto às autoridades estaduais e federais ajuda para a conclusão do projeto.

O que se busca com a recuperação do patrimônio físico do MORRO DA CAIXA D´água VELHA é a preservação da memória das práticas cotidianas relacionadas com as água doce potável no espaço urbano de Cuiabá, enraizadas no espaço mato-grossense, por meio de objetos, documentos, imagens, sacralizando o vivido por este grupo social no sentido de contribuir para o resgate da identidade desta instituição, inclusive na preservação do seu subterrâneo, permanecendo intacta a sua construção de 1882.

O que se propõe com a criação do MUSEU DO MORRO DA CAIXA D´água VELHA é dar vida e voz à constituição da história da água em Cuiabá, componente da vida das histórias regional e estadual.

Por mais de um século servindo a população de água potável, hoje esse patrimônio histórico necessita de atenção. Acredita-se que com a organização deste espaço, além de abrigar o MUSEU DO MORRO DA CAIXA D´àgua VELHA, cuja estrutura compõe o próprio Museu também, se estará possibilitando aos professores, pesquisadores, estudantes, visitantes e população em geral uma interação do presente com o passado.

 Este panorama traçado esboça um percurso que coloca a SANECAP/PREFEITURA MUNICIPAL DE CUIABÁ/IPDU como Instituições que se confundem com a história regional e nacional da água, cuja trajetória ainda não foi devidamente analisada pelos historiadores.

Daí a importância da proposta do presente projeto de organização do MUSEU DO MORRO DA CAIXA D´água VELHA, que por meio do seu espaço recuperado e disponibilizado à sociedade contribuirá para o resgate da memória e da restauração do seu patrimônio físico em Cuiabá. O Morro da Caixa d Água Velha, que é um bem público municipal tombado pela Lei 2.843/91 – 16/04/1991.

O Museu do Morro da Caixa d Água Velha tem tudo a ver com a cidade de Cuiabá, uma vez que a relação da população cuiabana com a água é muito forte, em função do seu clima, da sua posição geográfica circundada de córregos, bem como da preferência dos cuiabanos com as áreas de água para a realização de seus lazeres.

O desafio é criar um museu a tornar a água como objeto multidisciplinar e de produção de cultura humana.

N
a principal área do Museu, a Grande Galeria da Água, está localizada no subsolo que atravessa de uma ponta a outra. Em toda a extensão de suas paredes poderão ser exibidos múltiplos objetos de múltiplas significâncias. Ali poderão ser observados jeitinhos cuiabanos do cotidiano com a água doce potável por meio da música, da culinária, das festas, das religiões, das artes, das ciências, da biologia, dos povos de outras naturalidades e nacionalidades e outros objetos lúdicos que comporão o museu.

Mesas com monitores deverão ser instaladas para informações dos visitantes e promover a vivência da água para a população aproximando do cotidiano aprazível vivido ali pelos cuiabanos, mato-grossenses e outras nacionalidades.

Sobre o morro urbanizado árvores nativas e centenárias serão preservadas e contempladas, as quais trarão de volta a paisagem, hoje danificada, além da bela construção em si, que ao visitá-la em companhia de guias se transformação em interessantes aulas de Biologia, Ciências e História.

 

   

SATISFAÇÃO DOS MORADORES EM SEU ENTORNO

O bancário aposentado Joacil Alves Corrêa, de 61 anos, nasceu em uma casa a poucas quadras e há mais de 50 anos mora em uma Vila vizinha da antiga Caixa d Água. Acostumado a tomar banho no local quando era menino Corrêa recebeu com muito entusiasmo a proposta do espaço se tornar o Museu do Morro da Caixa d Água Velha.

Em sua família todos comemoram a idéia e agora pretendem acompanhar de perto as discussões e a execução do projeto. “O local está abandonado. Todos os anos vêm alguém e põe fogo na vegetação”.

Outros moradores como a servidora pública Cléria Yule Pardi que mora a mais de duas décadas próximo ao local desconhece, como grande parte da população, a galeria subterrânea sob as ruínas da antiga caixa d água velha. Que interessante exclamou Cléria, aprovando integralmente a proposta de transformar o local em um espaço educacional/cultural/turístico.

 

METODOLOGIA OU DESENVOLVIMENTO

 

O Museu do Morro da Caixa d Água Velha é um investimento da Companhia de Saneamento da Capital – SANECAP, Prefeitura Municipal de Cuiabá e Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano – IPDU, somados a outras adesões de órgãos estaduais, nacionais responsáveis pela adução, bombeamento, tratamento e distribuição de água de Cuiabá e pela preservação do meio ambiente em que vivemos.

Pouco sobrou no espaço urbano de Cuiabá das Bicas, Fontes, Chafarizes e Tanques de água doce potável. O Morro da Caixa d Água Velha ainda sobrevive praticamente incomunicável, esquecido e ignorado pela maioria da população cuiabana. Sua muralha ainda está de pé, está localizado na área central de Cuiabá, entre a Rua Comandante Costa e a Rua Nossa Senhora de Santana. À época se constituía em um dos pontos mais elevados da cidade de Cuiabá. Além disso, foi o local escolhido para receber a primeira obra de saneamento público da capital mato-grossense assim constituída:

 Posição Geográfica: Local: Região Centro Oeste; Área da Antiga Caixa: 696m²; Área a ser trabalhada: a mesma área construída. Logo após a desativação da caixa d água como fonte abastecedora da cidade, a área foi ocupada pela Estação de retransmissão da rádio A Voz do Oeste, serviu de local para ensaio da Escola de Samba “Beleza Pura”. Para quem quiser ter a sensação do eram esses tempos é preciso recuperá-la, por meio de símbolos, quais as estratégias utilizadas pelos governantes para dotar a cidade de Cuiabá de água potável e seus caminhos.

O Conselho Internacional de Museus, órgão subordinado à UNESCO definiu como Museu, a partir de 1975, toda instituição permanente, que não tenha fins lucrativos e que funcione a serviço da sociedade, aberta à visitação pública e, também, que conserve, pesquise e exponha coleções de objetos culturais e/ou científicos, tendo como objetivos, preferencialmente de modo integrado, o estudo, a educação e o entretenimento, no que concerne aos visitantes.

Para atender às especificações do ICOM, portanto, os museus devem se constituir em espaços ativos, que abriguem, de forma dinâmica, eventos culturais e artísticos, exposições, palestras, cursos e atividades afins, em espaços específicos:

1.- Produção
Desenvolvimento de pesquisa sobre o local por meio do Arquivo Público de Mato Groso;

2. - Produção de Limpeza, Urbanização e Iluminação por meio da Secretaria Municipal de Infra-estrutura Urbana – SEMINFE;

3. - Execução dos serviços de limpeza, pintura, desinfecção, cerca e identificação do local, em parceria com a SEMINFE;

4. - Colocação de Placa de Identificação do Local para Visitantes e Turistas, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Turismo;

5.- Destinação de Guarda (segurança) patrimonial para o local pela Administração da Regional Oeste;

6.- Desinfecção da Caixa d Água Velha (interior) pela Secretaria Municipal de Saúde;

7.- Instalação de Rede de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário,pela Companhia de Saneamento da Capital – SANECAP;

8.- A Prefeitura Municipal de Cuiabá já realizou um Convênio com a Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT – para a elaboração dos Projetos Hidráulico, Elétrico e Sanitário, conforme informação do IPDU;

. Execução do Projeto do Arquiteto Jaime Lerner.

Pós-Produção Preservação de espaço público municipal; Preservação da Memória da Água em Cuiabá; Aparecimento de Espaço Educacional/Cultural/ Artístico Cultural para a Sociedade Cuiabana apto para as produções e práticas educacionais/culturais/artísticas/históricas/ ambientais, de visitação, de turismo e para o desenvolvimento de feiras das ciências e da tecnologia, entre outros.

 

ÁREA

A área do imóvel acima descrito é assim caracterizada: 



Local: Região Centro-Oeste.

Ano do Projeto: 2006.

Área da Antiga Caixa d´Água: 696m²

Área a Preservar: 696m²

Custo Estimado: R$

 

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA NOS SEUS ASPECTOS FÍSICOS E BIOLÓGICOS.

 

VEGETAÇÃO

A cidade de Cuiabá encontra-se em uma região fitofisionômica característica do cerrado. Sua vegetação nativa é composta de cerrado, cerradão, mata c Na sede do município, as áreas verdes encontram-se representadas principalmente por vegetação remanescente de áreas não construídas, às margens de córregos, vegetação domiciliar, riachos e rios, fundos de vale, parques, praças e vegetação viária.

Entre exemplares da vegetação nativa da área em estudo pode ser encontrada a XIMBUVA ou orelha-de-negro do chaco, cujo nome científico é Leguminoso-Mimosácea. É uma árvore do Chaco de copa ampla, medindo entre 10 a 18 metros de altura. Tem como característica perder as suas folhas na estação seca e reflorescer nos meses de setembro a novembro. Frutifica entre os meses de agosto a novembro e é reflorestada pela fauna local, Sua existência é esparsa ao longo de toda região pantaneira entre as matas, capões, solos arenosos e argilosos e áreas não inundáveis.

Sua importância é fundamental para a cultura mato-grossense, pois, dela é confeccionada a VIOLA DE COCHO. Utilizando um tronco de madeira inteiriço esculpido no formato de uma viola e escavado na parte que corresponde à caixa de ressonância e, é esse instrumento que deu vida aos ritmos pantaneiros: cururu e o siriri. É madeira resistente a água. É utilizada na construção de canoas e para vedação. É apícola e uma das árvores do ninho da arara-azul. A casca tem propriedades medicinais, sendo utilizada pata o tratamento de doenças renais, reumatismo e calmante. O fruto é abortivo, a qual se encontra no local.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Cuiabá possui 524 mil habitantes se constituindo em um dos principais pólos de desenvolvimento da Região-Centro Oeste. O crescimento da cidade trouxe também a necessidade da revalorização da memória urbana com a reconstrução de calçadões nas ruas setecentistas. E agora clama pela restauração do Morro da Caixa d Água Velha.

O que se propõe com a criação do MUSEU DA CAIXA D ÁGUA VELHA é dar vida e voz à história da água componente da vida da história regional e estadual. Acredita-se que com a organização deste espaço, se estará possibilitando aos professores, pesquisadores, estudantes, visitantes e população em geral uma interação do presente com o passado.

Daí a importância da proposta do presente projeto de organização do MUSEU DA CAIXA d VELHA, que por meio do seu espaço recuperado e disponibilizado à sociedade contribuirá para o resgate da memória e a restauração do seu patrimônio físico em Cuiabá.

Ao visitar o MUSEU, o visitante poderá observar:

Maquetes das Bacias de Captação de Água;

> Máquinas e equipamentos utilizados no decorrer da história, demonstrando sua utilização e importância para a época, salientando, assim, o processo de evolução no que se refere à tecnologia;

> Mostras Fotográficas (os aguadeiros, as pipas, os carroceiros, os carrinheiros, os verdureiros, os tambores de águas, as latas, as moringas, os potes, os carregadores de lixos, os poços, as maquinas perfuratrizes dos poços, as cacimbas, os tanques, etc.);

> Vídeos;

> Além de outros temas previamente estabelecidos.

 

ANEXOS

CONTRATO DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA PARA CUIABÁ PELOS EMPRESÁRIOS JOÃO FRICK E CARLOS ZANOTA[25]. 

Termo de Contrato que fazem o Governo da Província com João Frick e Carlos Zanota, para execução do Projeto de Abastecimento de Água Potável a esta cidade de Cuiabá:

“Aos vinte e oito dias do mês de maio de mil oitocentos e oitenta e um, presentes no Palácio do Governo da Província e Vice Presidente da mesma, em exercício, Tenente Coronel José Leite Galvão, o Major Engenheiro da Província, Francisco Nunes da Cunha, o Inspetor da Tesouraria de Fazenda Provincial, Tenente Coronel Antonio Romualdo da Silva Pereira e João Frick por si e como Procurador de Carlos Zanota, residente na Província do Rio Grande do Sul, e as testemunhas abaixo assinadas foram ajustadas as seguintes condições”:

·        Especificações de Obras – O seu custo total para formares, como de presente formam o Contrato celebrado entre o mesmo Vice Presidente da Província e os referidos João Frick e Carlos Zanota para a execução das obras projetadas para o abastecimento público de água da cidade de Cuiabá, de conformidade com o respectivo projeto publicado na mesma cidade na corte do Império e para o fornecimento de todo o material necessário à construção das mesmas obras, tudo conforme as estipulações seguintes:

ARTIGO PRIMEIRO – Os trabalhos principais do referido projeto constarão do seguinte: Movimentos de terra, alvenarias, assentamentos da canalização das Fontes Públicas, das Máquinas a Vapor e das Bombas.

ARTIGO SEGUNDO – O fornecimento constará de tubos de ferro de diferentes diâmetros; registros, peças acessórias dos encanamentos e reservatórios, torneiras e Fontes Públicas, Máquinas a Vapor, Bombas, Material das alvenarias e das edificações.

ARTIGO TERCEIRO: As obras compreenderão:

# Primeiro – Construção do túnel ou canal subterrâneo destinado a derivar as águas do rio Cuiabá para o poço de recepção, que será construído nas proximidades do mesmo rio, pouco acima do Passo da Barca Pêndulo.

# Segundo – Construção do mesmo poço de recepção.

# Terceiro – Assentamento junto do poço de recepção, de duas máquinas a vapor com a força de dez cavalos cada uma, e das bombas que serão movidas pelas referidas máquinas a vapor com a força de dez cavalos cada uma, e das bombas que serão movidas pelas referidas máquinas e destinadas a elevar as águas do poço para a cavidade ou receptáculo da torre que será construída na Praça do Arsenal de Guerra.

# Quarto – Assentamento de uma linha de encanamento de ferro fundido de dez centímetros de diâmetro interno, e do milímetro de espessura, a qual comunicará cada uma das bombas com a cavidade eu receptáculo da torre.

# Quinto – Construção de uma torre na Praça do Arsenal de Guerra, a qual será situada em ponto que se designará e terá de altura vinte e três metros contados da base ao fundo da cavidade ou receptáculo.

# Sexto – Assentamento de uma linha de encanamento de ferro fundido de quinze centímetros de diâmetro interno e treze milímetros de espessura, a qual comunicará a cavidade da torre com o reservatório de distribuição.

# Sétimo – Construção de um reservatório com capacidade para conter mil metros cúbicos d‘água, o qual será situado a oeste desta cidade, no alto da colina que demora a nordeste da Praça Aracaty.

# Oitavo – Assentamento de três linhas de encanamento de ferro fundido de diâmetro de oito e dez centímetros, as quais comunicarão o reservatório com a rede geral da distribuição d‘água da cidade.

# Nono – Assentamento de diversas outras linhas de encanamento da mesma espécie, de diâmetro menores e derivados dos procedentes, aos quais são destinados a alimentar as Fontes Públicas.

# Dez – Construção de um Chafariz de repuxo na Praça do Palácio e quatorze Fontes nos seguintes pontos:

1 .- Largo da Boa Morte

2 .- Perto da Igreja São Gonçalo 

3
.-Rua 13 de Junho (canto Costa Campos)

4.- Mundéu (largo da Caridade)

5 .- Largo do Arsenal da Guerra

6 .-Largo de Bispo D. José

7 .- Largo do Ipiranga

8 .- Largo do Capim

9 .- Rua 1º de Março na bifurcação da Rua 7 de Setembro e Beco do Candeeiro

10- Esquina da Barão de Melgaço e Travessa da Câmara

11- A quem da Ponte do Rosário

12 – Beco Torto perto da Rua 11 de Julho

13 – Travessa da Assembléia e Barão de Melgaço

14 – Praça do Palácio (fundos da Matriz), sendo cada uma destas Fontes duas Borne Fontaines.

# Onze – Construções destinadas a abrigar as máquinas, combustível e pessoal empregado do custeio das mesmas máquinas e na conservação do reservatório.

ARTIGO QUARTO – As obrigações dos empreiteiros para com o Governo da Província se considerarão preenchidas, logo que as máquinas funcionarem com regularidade, trabalhem os repuxos e sejam abertas ao público as 14 Fontes acima mencionadas.

ARTIGO QUINTO – Passado oito dias depois de preenchido o contrato na conformidade da Cláusula procedente, os empreiteiros considerarão as obras entregues ao Governo da Província, por conta da qual correrão desde então a conservação, custeio e administração delas.

ARTIGO SEXTO – Se o mesmo governo, recebendo as obras, conservar a máquina e o foguista dos empreiteiros ou admitir outros da confiança destes, garantem os mesmos a conservação das máquinas, edifícios, bombas, encanamentos, reservatório, chafariz e fontes durante o período e um ano, contando da época referida da Cláusula Quinta, deixando em caução, para essa garantia, a quantia de cinco contos de reis em apólices; se, porém o referido governo, enquanto durar o período da garantia, admitir maquinista e foguista que não forem de confiança dos empreiteiros, cessará, por este fato a responsabilidade destes quanto à conservação das máquinas e bombas, permanecendo, no entanto a que for relativa às demais obras.

ARTIGO SÉTIMO – Os empreiteiros tem a faculdade de começar as obras de um ano, contando da data deste contrato e concluí-las 18 meses depois de receberem o pagamento da primeira prestação da importância por que se obrigam as obras ao projeto de abastecimento d‘água.

ARTIGO OITAVO – Se, porém, ocorrer caso de força maior devidamente provado e que embarace o andamento dos trabalhos, ou o seu começo, o governo da Província prorrogará o prazo para o começo das obras por um ano, findo o qual nenhum outro prazo será concedido e ficará considerado rescindido o presente contrato.

ARTIGO NONO – Depois, porém, de começadas as obras, qualquer caso e força maior devidamente provado, dará lugar a prorrogação por doze meses para a conclusão das mesmas obras e, se esta prorrogação não for suficiente, far – se-á a nova convenção entre as partes contratantes.  

ARTIGO DÉCIMO – Se o prazo estabelecido para a conclusão das obras for excedido sem motivo justificado de força maior, ficam os empreiteiros sujeitos a multa de dois contos de réis (por uma só vez), que em apólices depositarão na Tesouraria Provincial, no ato de receberem a Segunda prestação de seu pagamento. Verificada que seja a multa e marcado novo prazo farão os empreiteiros idêntico depósito, que será levantado só depois da conclusão das obras.

ARTIGO DÉCIMO PRIMEIRO – Quaisquer dúvidas que se suscitarem na execução deste Contrato, entre o Governo da Província e os Empreiteiros, serão decididas por arbitragem comum de profissionais da parte técnica, e de comerciantes na parte financeira, com audiência do inspetor da Fazenda provincial.

ARTIGO DÉCIMO SEGUNDO – Pelo seu lado o Governo da Província obriga-se:

lº - A coadjuvar diretamente os empreiteiros, empregando sua influência no sentido de conseguir dos poderes competentes a isenção de direitos de importação para todo o material destinado as obras contratadas.

2º - A providenciar de modo que os terrenos necessários a construção das obras estejam a disposição dos empreiteiros, tão logo estes se apresentem para começar o respectivo serviço.

ARTIGO DÉCIMO TERCEIRO – O engenheiro da província fiscalizará a execução de todas as obras, nas quais não poderão os empreiteiros empregar material algum sem prévio conhecimento do mesmo engenheiro, que poderá rejeitar os que reconhecer de má qualidade.

Ao mesmo engenheiro os empreiteiros fornecerão as informações necessárias para que ele possa a seu turno informar o Governo da Província sobre as circunstâncias da obra.

ARTIGO DÉCIMO QUARTO – O mesmo Governo fica obrigado para com os empreiteiros ao pagamento de cento e oitenta contos de réis (180:000$000), em cinco prestações iguais. A primeira será paga quinze dias depois de notificado ao dito Governo o começo das obras; a Segunda terá lugar oito dias depois da chegada e desembarque no porto desta cidade, de dois mil metros de encanamento; a terceira será oito dias depois de chegarem igualmente ao porto desta cidade e serem desembarcadas as máquinas, bombas e caldeiras; a Quarta efetuar-se-á depois do assentamento do chafariz e de funcionarem as máquinas; a Quinta finalmente se realizará oito dias depois de cheio o reservatório de distribuição e de estar funcionando o chafariz.

ARTIGO DÉCIMO QUINTO – O Governo da Província tem a faculdade de fazer cada um dos pagamentos referidos, metade em moeda corrente do País e metade em apólices da dívida pública da Província, com juros de 8% ao ano, apólices estas que serão emitidas em títulos de quinhentos mil réis, e terão cada uma impressa no verso, em sua íntegra, a Lei Provincial nº. 548 de 6 de Novembro de 1.880. Os juros serão pagos semestralmente e contados da data em que for devida a entrega das prestações.

ARTIGO DÉCIMO SEXTO – Se nas épocas dos pagamentos das prestações, por qualquer circunstância imprevista no movimento de fundos da Província, não puder o Governo efetuar o pronto pagamento em dinheiro, fará notificar isto aos empreiteiros com oito dias de antecedência, a fim de que neste prazo se conciliem os interesses sem prejuízo para os mesmos empreiteiros.

ARTIGO DÉCIMO SÉTIMO – Na ocasião de receberem a lª prestação, prestarão eles fiança da quantia de vinte e quatro contos de réis, apresentando fiador idôneo, ou deixando esta quantia em depósito, retirada da dita primeira prestação; sendo dezoito contos de réis em apólice e seis contos em moeda. A fiança mencionada, ou seja de fiador: idôneo ou de depósito, ficará levantada, logo que os empreiteiros tenham direito a segunda prestação, ou hajam concluído as obras do depósito.

ARTIGO DÉCIMO OITAVO – As obras e os materiais nelas empregadas desde o pagamento da lª prestação ficarão pertencendo a província. Da 5ª prestação ficarão em caução cinco contos de réis em apólices, para garantia da responsabilidade dos empreiteiros pela conservação dos maquinários, edifícios, bombas, encanamentos reservatórios, fontes e chafariz, durante o espaço de um ano, no caso de serem conservados nos respectivos serviços o maquinista e o foguista empregados pelos empreiteiros, ou de serem substituídos por outros de sua confiança.

ARTIGO DÉCIMO NONO – Embora estejam em garantia, as apólices dos empreiteiros, vencerão juros desde a data da emissão, e esses juros deverão estar embarrados na época dos vencimentos e serão cobrados pelos empreiteiros ou seus representantes.

ARTIGO VIGÉSIMO – É facultado aos empreiteiros e aos possuidores de apólices que residirem fora desta Capital, efetuarem a transferência ou venda de suas apólices mediante aviso a Secretaria do Governo, devendo esse aviso ser assinado pelo comprador e vendedor, cujas assinaturas serão reconhecidas pelo Tabelião.

ARTIGO VIGÉSIMO PRIMEIRO – É também facultado aos empreiteiros ou derivarem por sua conta e sem ônus para a Província, até oito penas de água para serviço particular.

ARTIGO VIGÉSIMO SEGUNDO – Fica estabelecido que, verificada a isenção de direitos de importação para os materiais das obras, serão os empreiteiros obrigados a colocar um Chafariz na Praça do Ipiranga e mais duas Fontes, uma no cruzamento da Rua Bela Vista com a Travessa da Justiça e a outra no cruzamento na mesma rua da Bela Vista com a Travessa da Constituição.

Para firmeza do referido se lavrou o presente termo na presença das partes contratantes e das testemunhas abaixo assinados, como ficou dito, o qual vai subscrito pelo Secretário da Província e assinado pelo Vice Presidente da mesma depois de pago o selo de 180.000$000 réis. José Magno da Silva Pereira. Secretário da Província o fez escrever e subscreveu – José Leite Galvão, por mim e como Procurador de Carlos Zanotta, João Frick. Como testemunhas, Generoso Paes Lemes de Souza Ponce e Luiz Zeferino Moreira. Cuiabá, 23 de abril de 1882.

 

TERMOS DE ALTERAÇÕES AO CONTRATO ENTRE A PROVÍNCIA DE MATO GROSSO E OS EMPRESÁRIOS JOÃO FRICK E CARLOS ZANOTA.

Após diversas dificuldades financeiras, o governo da província, em comum acordo com a Tesouraria da Fazenda Provincial, o engenheiro major Francisco Nunes da Cunha, os empreiteiros João Frick e Carlos Zanotta, ajustaram modificações ao contrato realizado em 28 de maio de 188l, em 06 de maio de 1882, constando das seguintes modificações:

I - O cano mestre, a que se referem os nºs 4 e 6 da cláusula 3ª do contrato, seguirá das máquinas ou do poço de recepção diretamente ao reservatório, no rumo aproximado de 20º N. O. O diâmetro e a espessura do dito cano serão os mencionados naqueles números.

II              Fica dispensada a construção da torre no largo do Arsenal de Guerra, a qual se refere o nº. 5 da indicada cláusula 3ª., visto ser ela desnecessária como declaram os empreiteiros e o engenheiro fiscal das obras, em conseqüência da nova direção que vai ser dada ao encanamento mestre, e por assim convir ao serviço e a economia do custeio das máquinas.

III              A importância de doze contos de reis, em que foi orçada a referida torre, reverte em favor da província, e será deduzida da 5ª prestação que se tem de pagar aos empreiteiros, em conformidade da cláusula l4ª.

IV            Fica concedida aos mesmos empreiteiros a faculdade de colocarem penas d‘água para serviço particular, em número proporcionado à capacidade do encanamento geral, devendo o concernente as penas ter 2/8 de polegada de diâmetro, e custar o uso de cada pena quatro mil réis mensais. As penas de maiores dimensões pagarão em proporção.

V             O material necessário para o serviço dessas penas será fornecido pelos empreiteiros, sem ônus algum para a província, cabendo-lhes haver dos particulares a despesa que houverem feito com a colocação do encanamento a elas destinado.

VI            A renda das ditas penas pertencerá aos empreiteiros durante cinco anos, contadas da data media em que tiverem sido colocadas nesse período, calculada a vista de notas semestrais por eles fornecida ao governo.

VII            Findo o dito prazo de cinco anos, passarão ao domínio da província, sem direito para os empreiteiros, a indenização alguma, não só o material concernente as penas d‘água, em perfeito estado, como também a renda total proveniente das mesmas.

VIII           Para despesa do custeio das máquinas, contribuirão os empreiteiros com a quantia de um mil réis mensais, deduzida do preço de cada uma das penas ativas, isto é, em efetivo serviço. Esta contribuição será paga semestralmente, em vista de uma lista das penas existentes nessa condição, lista cuja exatidão o governo fiscalizará como entender.

XIX          Durante o referido qüinqüênio, os empreiteiros são obrigados a conservar nas melhores condições todo o encanamento de ferro, e bem assim as maquinas, chafarizes e depósito, ficando exclusivamente a seu cargo qualquer despesa com os reparos e colocação das penas.

X             Os juros das apólices colocados fora da província serão remetidas semestralmente e logo que vencidas, sejam, pelo governo da província a um banco ou casa bancária, na cidade do Rio Grande do Sul, por meio de letra contra o Tesouro Nacional, correndo por conta dos possuidores de tais apólices qualquer comissão a esse banco.(...) [26]

CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO/CUSTO (em anexo)


Nº.

TAREFAS

PERÍODO

Início

Fim

01

Identificação Histórica

SET/06

SET/06

02

Bem Patrimonial Municipal Tombado sob n° - Lei 2.843 – 16.04.1991

1991

1991

03

Identificação da Área como Museu do Morro da Caixa d Água Velha

SET./06

SET/06

04

Limpeza e Vedação da Área – Cerca

JAN/07

JAN/07

05

Inicio das Obras

JAN/07

JAN/07

06

Urbanização e Ajardinamento da área

DEZ/07

DEZ/07

07

Inauguração do Museu em Dezembro de 2007

DEZ/07

DEZ/07

BIBLIOGRAFIA

ARANTES, Guilherme, Planeta Água, Música. 

APMT. Jornal O Estado de Mato Grosso, 08.04.1969, p.5.

APMT. DECRETO n° 231 de 25 de Outubro de 1979. Cuiabá, 1979. 

BARRETO, Neila Maria Souza. Água: Gota da Vida – Uso e Abastecimento de Água em Cuiabá – 1790 – 1886, Dissertação, Mestrado em História, UFMT, 25 de julho de 2005.

CATÁLOGO – Museu de Arte Contemporânea. O que é MAC?. São Paulo; EDUSP, 1986.

ERMEL, Ivânia – Assessora de Comunicação do serviço Autônomo Municipal e Água e Esgoto – SAMAE. – www.samaecaxias.com.br

FRIZZO, Édio Elói. Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto – SAMAE – de Caxias do Sul.

GOVERNO DO Estado de São Paulo. Manual de Orientação museológica e museográfica. São Paulo: 1987. Secretaria de Estado da Cultura, DEMA – Departamento de Museus e Arquivos.

LIMA, Eliana Beatriz Nunes Rondon Lima. Modelação Integrada para Gestão da Qualidade da Água na Bacia do Rio Cuiabá, Tese de Doutorado, UFRJ, Rio de Janeiro, Novembro, 2001.

SÁ, Cássio Veiga de. Memórias de Um Cuiabano Honorário – 1939 – 1945, Cuiabá-MT.

SUANO, M. O que é Museu? São Paulo: Brasiliense,1986.

RATTS – Foto – Fotografias, Acervo Particular, 2005.



 

 

[1] BARRETO, Neila Maria Souza, Mestrado em História, UFMT, Cuiabá, Julho/2005.

15- Município oriundo de Cuiabá, apenas dividido pelo rio Cuiabá. Está na margem direita do rio Cuiabá. É considerada a cidade industrial do Estado de Mato Grosso.

[3] LIMA, Eliana Beatriz Nunes Rondon Lima. Modelação Integrada para Gestão da Qualidade da Água na Bacia do Rio Cuiabá, Tese de Doutorado, UFRJ, Rio de Janeiro.

[4] BARRETO, Neila Maria Souza. Água: Gota da Vida – Uso e Abastecimento de Água em Cuiabá – 1790 – 1886, Dissertação, Mestrado em História, UFMT, 25 de julho de 2005.

[5] LIMA, Eliana Beatriz Nunes Rondon Lima. Modelação Integrada para Gestão da Qualidade da Água na Bacia do Rio Cuiabá, Tese de Doutorado, UFRJ, Rio de Janeiro, Novembro, 2001.

[6] FRIZZO, Édio Elói. Museu da Água. SAMAE-Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, Caxias do Sul.

[7] IDEM.

[8]Historiadora - Neila Maria Souza Barreto

[9] IBIDEM.

[10] - APMT. João Frick. Consulta. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, Tomo, CXLV, Ano LXIX, 1997, pp. 129-140. Os parágrafos seguintes são baseados nesse documento.

[11] - APMT. Contrato, mss., Cuiabá, 28-05-1881. 

[12] - O atual “Morro da Luz".

[13] - IMPL. Contrato assinado em 23 de abril de 1882, artigo sexto.

[14] - IMPL. Contrato assinado em 23 de abril de 1882, artigo 6º.

[15] - Ibidem, Artigo 22º. 

[16] - APMT. A Província de Mato Grosso, ano III, n.º 145, 09.10.1881, p.3.

[17] - Ibidem. p. 3.

[18] - APMT. A Província de Mato Grosso, n.º 172, 16-04-1882.

[19] - Dásio Zanotta, Luiz Zanotta, Joaquim da Fonseca, José Fratiani, Manoel de Assunção, João Coelho, Manoel Coelho, Pedro Buriti, Pedro da Cunha, Fortunato Souto, João Addor, Antônio Garcia, Domingos D´Almeida, Antônio Corrêa, José de Oliveira, Francis M. de Souza, José de Oliveira.

[20] - Reservatório que depois recebeu o nome de “Caixa d’Água Velha”, ficava na antiga travessa da Caixa d’Água, atual rua Comandante Costa. [Cf. Rubens de Mendonça. Ruas de Cuiabá. Cuiabá/Goiânia, Ed. Cinco de Março, 1969, p. 53].

[21] - APMT. Ofício de 30-11-1882; mss.

[22] - IMPL. Discurso, novembro de 1882.

[23] - MENDES, Francisco Alexandre Ferreira, Lendas e Tradições Cuiabanas. Cuiabá. Ed. Fund, Cultural de MT, Livro 14, IHGMT, 1977, p. 49.

[24] - Já em meados do século XX esse chafariz foi destruído durante a administração do prefeito Vicente Emílio Vuolo.

[25] - NDHIR. Jornal A Província de Matto Grosso, Ano III, 12 de junho de 1881, nº. 128. 

[26] - APMT. Termo lavrado e assinado pelo secretário da província José Magno da Silva Pereira e assinado pelo presidente da província, Relatório de província de 15 de julho de 1882, Cuiabá, pp. 45-47.

 

 


Arquivo(s) anexado(s)

MORRO_DA_CAIXA_D_AGUA_VELHA-1.pdf (902.9 KB)
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